Pela fresta

Wednesday, January 31, 2007


Sempre achei curioso como, à medida em que conhecemos alguém e vamos aprendendo a gostar da pessoa, ela acaba se tornando mais bonita aos nossos olhos. É como se o gostar, o sentimento de querer bem, de admirar, apreciar, fosse uma lente que nos dá o poder de enxergar melhor, além do que se vê superficialmente, da aparência. É algo mágico, que não tem muita explicação, mas que sempre me encantou.

Essa comparação me lembra os vários exames de vista que já fiz. Além de míope, ganhei também no pacote o astigmatismo, que resolveu aparecer em alto grau justo quando o outro problema se estabilizou. No exame, o oftalmologista coloca um instrumento na altura dos olhos - um misto de binóculo com óculos gigante - e nos pede para ler as letras no quadro. Então, ele vai colocando lentes diferentes de cada lado e pergunta: Está melhor assim ou assim? Essa lente é melhor do que aquela? Não sei vocês, mas confesso que muitas respostas foram no chute, porque não conseguia mais distinguir, a um certo ponto, o que representava uma melhora mais significativa.

É gostoso perceber a transformação que os sentimentos vão provocando e que não há creme ou tratamento mais poderoso do que um sorriso amigo, um abraço, um elogio, uma palavra de carinho. Ou as afinidades que vamos descobrindo, as palhaçadas que tornam a noite mais sem graça um programa super divertido e as lágrimas repartidas que aproximam e confortam. Porque, no fim, são todas essas coisas que fazem a vida ganhar sentido e valer a pena e não uma barriga sarada, um cabelo de comercial de xampu ou corpos perfeitos como os das revistas.

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